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Comprar direto ou contratar uma empresa de hortifruti?
23 de julho de 2008
Por Rogério Soares*


Esta pergunta, polêmica em diversos lugares, é feita por muitos gestores de hotéis e restaurantes ao se pensar em iniciar um contato com empresas fornecedoras de hortifruti ou visando uma economia de seus gastos. Existe cada vez mais a preocupação das empresas em se diminuir seus custos e soma-se a isto o desafio de manter a qualidade e a freqüência de produtos oferecidos para os clientes.
 
Pelo que venho percebendo com minha experiência e passagem por grandes hotéis na área de compras e suprimentos, alguns gestores ainda enxergam o custo de um produto analisando apenas seu  preço de compra, sem levar em conta todo o processo operacional interno envolvido, estrutura necessária (colaboradores, transporte, tempo e perdas, entre outros) e necessidades diárias devido ao nicho focado, ou seja, o preço real do produto.

Cada nicho é um caso. Um hotel de quatro ou cinco estrelas que possui uma grande quantidade de eventos, grande consumo em seu restaurante e bar, além da hospedagem, com certeza tem  necessidades diferentes de um pequeno bistrô, que trabalha focado apenas em atender no período de almoço.
 
História
Antes de analisar a questão, vamos a alguns dados históricos.  A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) surgiu em maio de 1969, da fusão de duas empresas mantidas pelo gverno de São Paulo: o Centro Estadual de Abastecimento (Ceasa) e a Companhia de Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Cagesp), quando o crescimento de São Paulo passou a exigir uma central atacadista de grande porte, capaz de atender a população do Estado.

O Mercado Municipal, que respondia pelo abastecimento desde 1933, já não atendia a crescente demanda. Iniciaram-se, então, as obras da Central de Abastecimento na Vila Leopoldina, na zona oeste da capital. Uma enchente no Mercadão em 1966 precipitou a inauguração do novo Entreposto, com área 17 vezes maior que o antigo mercado.
 
Torre do relógio, o símbolo do Ceagesp
(fotos: Rogério Soares)
 
Hoje, o Entreposto Terminal de São Paulo está entre os maiores do mundo em volume de comercialização. Por seus portões passam, todos os dias, mais de 10 mil toneladas de frutas, legumes, verduras, pescados e flores, vindos de todas as regiões do Brasil e do exterior, e abastecem mais de 60% da Grande São Paulo. Em seus 700 mil metros quadrados, o entreposto da capital recebe intenso fluxo de veículos de carga e população de cerca de 30 mil pessoas por dia.
 

O barato pode sair caro
Já estive no Ceagesp algumas vezes para realizar este comparativo de custo-benefício de trabalho e tive a oportunidade de retornar este mês, quando visitei alguns fornecedores que atendem diretamente as empresas e outros que vendem o produto vindo direto da roça (do produtor).
 
Em primeiro lugar,  pude perceber, depois de ter rodado por mais ou menos 5 horas por todos os entrepostos de hortifruti, que os preços oferecidos por empresas que vendem produtos diretamente  da roça passam a falsa impressão de custarem de 30 a 35% a menos que os produtos entregues diretamente por empresas contratadas.
 
Um primeiro ponto a ser percebido na compra direta é que o fornecedor só vende seus produtos em caixas ou sacos fechados, sem possibilidade de abri-los e escolher os melhores produtos ou padrões, e todos possuem um peso padrão em todo Ceagesp.
Um saco de batatas possui como peso padrão 50 kg, e já vêm da roça dessa maneira. Quando se compra direto no Ceagesp o saco de batatas traz várias "famílias" de batatas, dos mais variados tipos e tamanhos. Além disso, este saco terá sempre uma média de 8% de perda do produto. Todas as empresas colocam para exposição sacos com batatas selecionadas (chamadas no vocabulário local de "noivas"), o que chama a atenção dos compradores passantes. Existem algumas empresas que trabalham selecionando as famílias e os tamanhos das batatas, o que eleva em 10% a 20% os preços, dependendo da época.
 
 
  Sacos de batatas do produtor e as "noivas",
que são previamente selecionadas
 
 
Em um saco aparentemente sem problemas,
podem aparecer várias "famlílias" diferentes
 
No caso do tomate, acontece a mesma coisa: uma caixa de tomate, cujo padrão de peso são 20 kg, apresenta variedade de tempo de maturação em seu interior. Para se conseguir montar uma caixa com 100% do mesmo padrão, é necessário que o comprador de hotel e de restaurante leve em média de 2 a 3 caixas. Há  também fornecedores que realizam a seleção dos tomates por tamanho ou maturação. Neste caso, elevam o preço do produto de 10% a 20%, dependendo da época no ano.
 
 
Numa mesma caixa há diferentes tipos de maturação
 
 
Os frutos são colocados na esteira e lavados
 
 
Nesta máquina, são separados por tamanho

Ao analisar e viver o dia-a-dia de alguns hotéis com grande movimento de eventos, restaurante, bar e hospedagem, percebi algumas vantagens para a contratação de uma empresa de hortifruti para realizar entregas no hotel.
 
As empresas contratadas entregam os produtos diariamente, no horário e local solicitado, diminuindo custos com a compra de caminhão, gastos com gasolina, seguros, colaboradores, depreciação do transporte, caixas de plástico e tempo gasto para compra, além do risco de não se conseguir o produto a tempo. Todo estes custos somados podem representar um aumento de 20% a 30% sobre o preço de compra.

Além disso, os padrões - tamanhos, tipos, cores, texturas etc - e a quantidade que a empresa necessita são determinados com o fornecedor, que se compromete a entregar todos os produtos com 100% de aproveitamento, sem perda, sem perda alguma. Caso algum produto venha fora do padrão, o fornecedor tem o compromisso de realizar a troca imediatamente. Existem produtos que, comprados diretos no Ceagesp, apresentam até 20% de perda, caso do mamão papaia.
 
 
Pimentões de uma caixa fechada, de um produtor não selecionado,
e outros escolhidos de acordo com o padrão do hotel
 
Balança para pesar os pedidos dos clientes

Quando o hotel compra com uma empresa contratada, ela faz entregas de emergências de acordo com o fluxo de eventos ou consumo da empresa, sem custo extra, inclusive no caso de algumas solicitações não comuns feitas por algum hóspede ou cliente do hotel, como frutas exóticas para montagem de cesta.
 
A Ceagesp não abre no domingo, por isso todos os pedidos solicitados às sextas-feiras ao fornecedor são armazenadas em  câmaras frias para entregas nas segundas. O restante fica no depósito, o que economiza espaço e energia para a empresa compradora.
 
 
 Câmara fria para conservação dos produtos e
depósito de produtos já separados para entrega
 
Caminhão começa a ser preparado
para realizar entregas
 
Outro detalhe importante é que na Ceagesp existem horários certos para cada produto ser vendido: os legumes podem ser comprados de segunda a sábado, das 7h às 17h; as frutas, de segunda a sábado, das 6h às 18h; as verduras, de segundas, quartas e quintas, das 8h às 18h, terças e sextas das 12h30 às 18h e aos sábados, das 14h às 17h; diversos (batata, cebola, coco seco, ovos) são encontrados de segunda a sábado, das 8h às 19h; e abóboras, de segunda a sábado, das 8h às 17h.

 
De um lado, alfaces vendidos direto da roça. De outro,
pés selecionados pelo fornecedor contratado

Dicas para se realizar um boa compra
"Comprar por quilo é a única maneira de não ser enganado". Uma  caixa de laranja, por exemplo, tem peso padrão 25 kg. Se o  combinado for o preço por caixa, o fornecedor poderá entregar uma quantidade diferente, um peso menor. No entanto, quando se negocia por quilo, há sempre a segurança de receber pelo que se pagou.

Outro exemplo típico é comprar algumas verduras por maço. O ideal é fechar o preço por quilo, pois cada maço pode ter uma grande variação de peso. O ideal é que todo o hotel ou restaurante tenha uma balança no recebimento das mercadorias para a conferência e comparação do peso solicitado com o que foi entregue.
 
Diariamente pesquisadores da Ceagesp percorrem os pavilhões da central atacadista coletando preços de produtos, nas vinte maiores empresas fornecedoras, realizam uma média de preços e colocam no site da companhia à disposição dos compradores. Esta tabela serve como referência ao comprador, mas não leva em conta a qualidade do fornecedor (tipo A, AA, AAA), perdas e outros custos.

Links interessantes
Sazonalidade de compras dos produtos:
Cotação de preços diários:
Dicas e classificações das frutas, legumes e vegetais:

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